Depois de engravidar 16 vezes, mulher se livra das drogas


por Diário Popular
22/01/2012 00:00
baiana
Baiana, ao lado do filho mais novo, uma das motivações para largar a droga, depois de outras tentativas frustradas
IPATINGA - Maria José de Jesus Barbosa, 34 anos, mais conhecida como Baiana, morou no Centro de Ipatinga por vários anos. Baiana era usuária de drogas e se prostituía para sustentar o vício. Seu ponto era próximo da rodoviária da cidade e ela ameaçava com pedras as pessoas que passavam pela rua. Mas há aproximadamente um ano e meio sua vida mudou: ela decidiu deixar as ruas.
Em outubro de 2010, grávida, procurou ajuda. Depois de ter passado por outros tratamentos sem sucesso, há um ano e três meses Maria José se diz 'limpa' das drogas.

VÍCIO
Maria José de Jesus Barbosa é natural de Guanambi, na Bahia, e aos 13 anos foi expulsa de casa depois de engravidar do seu segundo filho. Sem ter para onde ir, Baiana veio para Minas Gerais e morou nas ruas. Maria contou que para se manter nas ruas começou a se prostituir. "Primeiro comecei na prostituição e quando eu menos esperava conheci o crack. A cocaína eu também experimentei, mas não gostei e a maconha eu não gostava de usar porque me dava muita fome. Aos 13 anos mesmo eu já viciei no crack e fazia de tudo para conseguir a pedra", declarou.
Por mais de 14 anos, Maria se prostituiu. Os favores sexuais garantiam a ela não só dinheiro para comprar drogas, mas também um prato de comida. "Eu já me deitei com muitos homens e por várias vezes eu recebia cinco reais. Outras vezes eu conseguia comida, que era um marmitex. Mas também já troquei muita comida por droga", lembrou Maria José.
Segundo ela, os furtos que praticou também foram impulsionados pelo vício. "Quando eu vivia nas ruas e na prostituição eu cheguei a roubar para fumar crack. Mas foram só essas vezes, porque eu não gostava de roubar não", disse a ex-moradora de rua.

TENTATIVA
Maria José ficou por quase um ano em uma clínica de recuperação. Ela então conseguiu um trabalho como vendedora de coco, mas depois de uma recaída perdeu tudo que havia conquistado. "Estive na Associação Reviver por muitos meses, fiquei boa e comecei a dar faxina e ganhei até um curso para aprender a fazer salgados pra fora. Mas quando eu já estava na minha casa e já tinha onde morar, eu tive uma recaída muito forte e perdi tudo que eu tinha", relembra.
Ela contou que depois de um dia de trabalho chegou em casa e um vizinho a ofereceu crack. "Cheguei em casa uma vez e tinha um rapaz usando crack perto de onde eu morava e eu caí em tentação e perdi tudo que eu tinha conquistado. Eu nem poderia imaginar que o crack estava a uma parede de mim, eu nunca pensei que isso pudesse acontecer", lamentou Maria.
Depois de perder a casa e não ter mais como se manter, Baiana foi para as ruas novamente. Hospedou-se em um hotel perto da rodoviária de Ipatinga e depois morou em outro local onde, segundo ela, as prostitutas da cidade costumam ficar.

'Só a misericórdia de Deus não passa'
Ipatinga - "Nunca fui casada, nunca tive um lugar para morar. Sempre morava na zona ou nas ruas e nunca tive ninguém por mim. O que eu passei na rua vivendo na sujeira e como mendigo não desejo pra ninguém. Eu consegui ser ajudada e por isso deixei as drogas. Desde 2010 que eu não uso mais droga e não mexo com nada de errado", afirmou Baiana com satisfação.
Ainda de acordo com ela, muitas pessoas não acreditavam na sua recuperação. "Muita gente dizia que eu não ia conseguir e hoje as pessoas não me reconhecem. Teve gente que falou comigo que se o meu caso tivesse solução elas iam até acreditar na força de Deus e hoje eu posso falar que superei tudo", testemunha.
Hoje, Maria José vive com o filho em uma clínica de recuperação e ajuda no funcionamento do local. Ela não recebe pelo serviço, mas disse estar sempre procurando um emprego. "Eu vivo de doações, mas graças a Deus não falta nada nem para mim e nem para o meu filho. Eu sei fazer algumas coisas e tenho fé que vai acabar aparecendo um emprego para mim. E espero conseguir ajuda para visitar meus outros filhos em julho, porque tem uns sete anos que eu não os vejo", disse Maria.
Baiana deixou uma mensagem de apoio para quem deseja deixar as drogas. "O que eu falaria para as pessoas é que para tudo tem um jeito, depende de nós. Temos que olhar para dentro de nós e pedir ajuda a Deus porque o que o outro fala não tem valor, pois Jesus é o único salvador. Todo amor passa e só a misericórdia de Deus que não passa", concluiu Baiana.

"Baiana" engravidou 16 vezes
Ipatinga
 - Baiana engravidou por 16 vezes e deu à luz nove filhos - sete sobreviveram. Dois dos primogênitos moram na cidade natal de Maria. Um mora com a mãe dela e outro com uma vizinha, que adotou a criança. Apenas nas duas primeiras gestações Maria não usou drogas. "Quando tive os meus dois filhos mais velhos eu ainda não era usuária de drogas. E os outros filhos eu engravidei e usava drogas o tempo todo. Quando fui ganhar o meu filho que hoje tem nove anos, o Marcos Vinícius, eu estava em trabalho de parto com o sutiã cheio de pedras de crack. Só Deus mesmo que teve misericórdia", declarou Baiana com emoção.
O filho mais novo de Maria é filho de um morador de rua e usuário de drogas. "Nas ruas do Centro eu engravidei e conheci o pai do meu último filho. Ele é complicado e é foragido da polícia. Fui morar em Manhuaçu com ele e um dia a gente brigou e eu acordei embaixo de uma árvore, bêbada sem saber o que fazer. Depois acabei descobrindo que estava grávida", contou Maria José. Os outros filhos de Maria foram encaminhados à adoção.
Depois de passar um tempo em Manhuaçu, Baiana voltou para Ipatinga e foi morar novamente nas ruas do Centro. Aí que ela conseguiu dar a volta por cima. "Eu não conhecia ninguém em Manhuaçu. Aí voltei para Ipatinga, onde os moradores de rua são a minha família. Quando voltei paro o Centro, eu estava tomando álcool com água e não aguentava mais essa vida. Um dia, quando fui fumar o crack, decidi pedir ajuda. Mas como as clínicas a maioria não pega mulheres grávidas, eu fui atendida pelo projeto Videiras. E graças a Deus deu tudo certo", disse a ex-usuária de drogas, acrescentando que a última gestação a motivou.

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