Em Minas, chuva matou 279

Nem os 279 mortos nos últimos dez anos em Minas ou as situações de calamidade enfrentadas por dezenas de municípios por causa do início do período chuvoso foram suficientes para aprimorar as medidas de prevenção por parte dos gestores. Um levantamento feito pela reportagem de O TEMPO mostrou que a Zona da Mata, onde várias cidades encontram-se hoje destruídas pelas enchentes, figurou por 13 vezes como a principal região afetada nos últimos 15 anos no Estado. A cidade de Muriaé, por exemplo, contabiliza prejuízos da destruição deixada sempre no início do ano.

Na base da cadeia de responsabilidades, as prefeituras aparecem com o dever de adotar medidas eficazes na tentativa de frear a repetição das estatísticas a cada temporada de chuva. No entanto, para o especialista em gestão pública da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp)José Luis Bizelli, as administrações municipais passam longe de se dedicarem ao problema e ainda precisam aprimorar procedimentos. "(Os prefeitos) têm que se precaver porque eles já têm as áreas de risco mapeadas e sabem quais locais poderão sofrer mais. Mas isso não é feito", avaliou.

O argumento usado por gestores públicos de que a intensidade dos temporais é responsável em parte pelas mortes e pela destruição das cidades, de acordo com a professora do laboratório de climatologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Cássia de Castro, não tem fundamento. "Culpar a chuva não adianta nada, ela vem todo ano", afirmou. 

Na capital, enchentes recorrentes atingem, através dos anos, grandes avenidas da cidade, como a Via Expressa, Tereza Cristina e Cristiano Machado. Áreas ocupadas irregularmente, como os aglomerados Vila São José e Morro das Pedras, sofreram com deslizamentos de barrancos. "Vi gente morrendo por causa da chuva. Tive parentes que perderam tudo. Lembro de uma vez que quatro crianças da mesma família morreram", contou uma mulher que morou durante 30 anos na Vila São José, na região Noroeste da capital, que pediu para não ser identificada. 

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