Polícia Civil da BA investiga casos de extermínio durante greve da PM


Vítimas não foram identificadas em quase 40% dos casos de homicídios.
Desde o início da greve, SSP registra 136 assassinatos.

Do G1 BA
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O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) informou nesta quarta-feira, através de nota, que irá priorizar os casos de extermínio em Salvador e Região Metropolitanda  durante a greve da PM.

A DHPP informou que um dos indícos que confirma a relação desses casos como extermínio é a participação de grupos armados de segurança clandestina que estariam eliminando moradores de ruas que podem ter praticados furtos e roubos, incomodando o comércio de bairros de Salvador. Eles deram como exemplo, dois casos específicos, como a execução de cinco moradores de rua na Boca do Rio, durante a madrugada de sexta-feira (3), e a morte de uma mulher na Praça da Piedade, no mesmo dia.
A DHPP reconhece a sexta-feira (3), como o dia onde foram praticados mais crimes dessa natureza. Eles informam ainda, que os grupos armados de segurança clandestina podem ter referência também com quadrilhas de traficantes, executando desafetos e integrantes de bandos rivais, além do acerto de contas com usuários.
Números
A Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP-BA) registra, desde o primeiro dia de greve, 136 mortos em Salvador e na Região Metropolitana. O número se refere aos crimes ocorridos desde a terça-feira (31), primeiro dia do movimento e a partir das 21h, até às 17h desta quarta-feira (8). Os dados revelam que 86% das vítimas são homens e 14% mulheres, perfazendo um número total de 117 vítimas homens e 19 mulheres. Os dados revelam que 54 vítimas não foram identificadas.
IML Salvador (Foto: Gabriel Gonçalves/G1)A fachada do IML de Salvador na manhã desta
quarta-feira (8) (Foto: Gabriel Gonçalves/G1)
G1 esteve no Instituto Médico Legal (IML) de Salvador, órgão que acolhe as vítimas de mortes violentas (e não apenas de homicídios), na manhã desta quarta-feira, mas não foi autorizado a entrar no local. O aumento no número de homicídios fez subir a demanda por atuação do órgão, segundo um funcionário do IML, e o movimento está tão intenso que até um dos carros funerários de reserva está sendo utilizado.
Segundo o funcionário do IML, que preferiu não se identificar, nesses dias de greve os três carros funerários da unidade têm recolhido média de 30 corpos por dia, enquanto em dias considerados normais, sem a greve da PM, a média é de 15. Os piores momentos, afirmou, ocorrem nos fins de semana.
Na manhã de quarta-feira (7), a secretaria afirmou que já passava de cem o total de homicídios. A instabilidade do site da SSP-BA nas últimas 48 horas tem dificultado o acesso aos detalhes dos crimes, entre eles, o local e o horário da ocorrência, além do sexo e idade das vítimas. O dado mostra, no entanto, que a quantidade de vítimas tem diminuído desde a manutenção da greve na Bahia. No domingo (5), o aumento de casos até então era de 129%e, nesta quarta, atinge 118,6 %.

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