Tráfico tem caso de amor com a prostituição

Problema social se mistura com atividade criminosa e dificulta ação das autoridades 

Janete Araújo
REPÓRTER

FOTO: LAIRTO MARTINS 

“Um detalhe que me intriga nessa profissão é o fato de 40% desses meus clientes terem tendência homossexual e desejarem que eu atenda suas fantasias nessa área”. ‘JOELMA’, que faz ponto próximo aos motéis do Bairro Veneza
IPATINGA – A prostituição está intimamente ligada ao submundo das drogas e, para não fugir à regra, o Vale do Aço reflete bem a realidade que se apresenta hoje em todo o país, com o aumento da incidência de garotas de programa usadas no tráfico de maconha, cocaína e crack. O jornal VALE DO AÇO identificou esta semana, em pontos mais utilizados por mulheres envolvidas com o meretrício em Ipatinga, três categorias distintas: 1 - as profissionais do sexo ou as acompanhantes que usam o sexo como moeda de troca para obterem vantagem monetária pura e simplesmente; 2 - aquelas que são viciadas em drogas e, para manterem o vício, vendem seus corpos; 3 – outras que se fingem de garotas de programa, principalmente quando abordadas pela PM, mas que na verdade são as chamadas ‘mulas’, usadas por traficantes para distribuir drogas.

A maioria das profissionais do sexo entrevistadas, na faixa etária de 20 a 30 anos, oculta das famílias esta faceta da sua personalidade. Algumas chegam a ter empregos regulares, mas mal remunerados, garantindo desse modo o sigilo de sua vida dupla, tudo para manter a normalidade junto de seus pais ou filhos. Uma delas chegou a admitir que o próprio namorado tem conhecimento de que vende seu corpo.  

Depoimentos
Segundo o relato de uma profissional do sexo ouvida na BR-381, próximo aos motéis do Bairro Veneza e que chamaremos de ‘Joelma’ para preservar a identidade, ela faz programa já há vários anos. Alega que entrou na atividade porque precisa pagar suas contas e garantir a subsistência de seu filho. “Eu morava com meus pais numa favela de Coronel Fabriciano e nos faltava de tudo. Cansei daquela vida e comecei então a fazer programa. Cheguei a parar algumas vezes, mas como o dinheiro é bom, acabava voltando. Com isso comprei minha casa própria e vivo minha vida com um certo conforto que não conseguiria se eu trabalhasse em um outro emprego. Mas é muito cansativo. Tenho que ouvir as confidências de clientes e atender a todas as suas fantasias. São muitos os fetiches e cada um mais estranho que o outro. Atendo casais e homens sozinhos. Nesse caso, quase sempre eles procuram a garota de programa escondido da esposa ou namorada, e são das mais variadas classes sociais. Alguns contam que deram como desculpa para sair, necessidade de ir comprar um remédio ou assistir jogo de futebol na casa de amigo. Um detalhe que me intriga nessa profissão é o fato de 40% desses meus clientes terem tendência homossexual e desejarem que eu atenda suas fantasias nessa área. Mas já me acostumei a isso”, desabafa ‘Joelma’. Ela ainda acrescenta que chegou a ser vítima de violência logo no início: “Teve uma vez que um cliente tentou me matar colocando o cano de um revólver em minha boca. Com calma e muita conversa consegui evitar o pior. Por isso tomo muito cuidado ao escolher com quem vou sair”

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