Aumento de 500% em ataques a caixas de banco em MG

Minas Gerais já não consegue conter a ação criminosa 

DA REDAÇÃO - Além do trabalho de reestruturar administrativamente a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), o secretário Rômulo Ferraz, que assumiu o comando da pasta na segunda-feira (19), tem como uma das principais missões conter a onda de violência que avança em Minas. Uma ocorrência, ontem, de explosão de caixa eletrônico em uma agência do bairro Petrolândia, na divisa de Betim com Contagem, na região metropolitana da capital, engrossou as estatísticas do Estado sobre esse tipo de ação. 


A Polícia Militar não tem levantamento sobre a quantidade de ocorrências registradas, mas um levantamento feito pela reportagem do jornal “O Tempo”, de Belo Horizonte, revela números preocupantes. Enquanto em 2011, a média mensal de ataques a caixas eletrônicos não passava de um caso, com 12 registros ao longo do ano, nos três primeiros meses de 2012, com 18 ataques, a média mensal no Estado pulou para seis. Uma elevação de 500% nas estatísticas. 


Os dados mostram que Minas segue um caminho perigoso, como acontece em outros Estados, ao exemplo de São Paulo, que, neste ano, registrou pelo menos 91 casos de explosões de caixas eletrônicos. O que chama a atenção também é que esse tipo de ocorrência, antes mais comum em cidades do interior, agora avança para a região metropolitana. 


No crime de ontem, cinco homens fugiram com gavetas onde são armazenadas as cédulas depois de explodirem três caixas eletrônicos do banco Itaú. O valor do roubo não foi revelado. Dos ataques ocorridos neste ano em Minas, três foram em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro. Uberlândia, na mesma região, registrou duas ocorrências. Só em dezembro do ano passado, em um intervalo de apenas 11 dias, Uberaba, também no Triângulo, foi alvo quatro vezes da ação de criminosos com explosivos.


A falta de informação da polícia sobre essa nova modalidade criminosa é criticada pelo pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG (Crisp) Luis Felipe Zilli. “Falta investimento em informação qualificada. Se a polícia não levantar as informações, não conseguirá planejar ações. A questão da inteligência é um gargalo de muitos anos no Estado”.


Segundo o major Sandro de Souza, da assessoria de comunicação da corporação, a ordem do comandante geral da Polícia Militar, coronel Márcio Sant’ Ana, é que os setores de inteligência da corporação façam o levantamento dos casos e apresentem estratégias para combater esse tipo crime. “Os comandantes das regiões já são orientados e têm autonomia para atuar na proteção aos bancos”, afirmou o major Marcone Cabral, também assessor da PM.


O chefe do Departamento de Investigação de Crimes contra o Patrimônio, Islande Batista, informou que, ao contrário de outros Estados onde os ataques a caixas eletrônicos são articulados por quadrilhas organizadas, em Minas, 90% dos ataques são praticados por criminosos oportunistas. “Os caixas estão em locais vulneráveis, sem a devida segurança. Por isso, a maioria das ocorrências é no interior”. Em nota, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) informou que os bancos investem anualmente quase R$ 10 bilhões em segurança. 

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