Prédios públicos com caixas eletrônicos viram alvos fáceis e lucrativos para bandidos em MG

Ataques a caixas eletrônicos instalados em prédios públicos aumentam em Minas Gerais. Quadrilhas agem com tranquilidade, atraídas pela fragilidade da segurança nesses locais.
Maçaricos foram usados para cortar equipamentos bancários no Centro Administrativo da Prefeitura de Betim, no domingo (Moisés Silva/EM/D.A Press - 11/3/12)  
Maçaricos foram usados para cortar equipamentos bancários no Centro Administrativo da Prefeitura de Betim, no domingo

A falta de segurança dos prédios que abrigam órgãos públicos em Minas Gerais se tornou um atrativo a mais para quadrilhas que roubam caixas eletrônicos. Só nos três primeiros meses deste ano já foram registrados sete ataques a instituições municipais, estaduais e federais no estado. Esse número é quase igual às ocorrências do ano passado (8) e de 2010 (9). Os dados foram obtidos com fontes da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).

De acordo com o delegado Islande Batista, chefe do Departamento de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Diccp) da Polícia Civil, a segurança nesses locais é muito precária, o que facilita a ação dos criminosos. "O que vemos nesses prédios é uma dupla de vigilantes perdida numa construção enorme, sem câmeras nem alarmes. Isso se tornou um atrativo para quadrilhas de ladrões", afirma o delegado. "Já vi prefeituras roubadas na região metropolitana que tinham portas de vidro, muros baixos e nenhuma vigilância", completa.

O modo de operar das quadrilhas é quase sempre o mesmo. "Os bandidos esperam o domingo à noite ou a madrugada para invadir as instalações vazias. Se encontrarem vigias - geralmente são poucos -, eles os dominam e passam a noite cortando os aparelhos com um maçarico ou os explodem com bananas de dinamite", detalha o delegado. Foi o que ocorreu domingo em Betim, na Grande BH. Mais de dez assaltantes armados invadiram o Centro Administrativo da prefeitura, renderam e trancaram em uma sala os dois guardas municipais e oito funcionários que lá estavam de plantão. Com um maçarico recortaram a blindagem dos caixas eletrônicos e chegaram aos cofres no interior das máquinas.
Nos últimos três anos foi a primeira vez que uma repartição pública de Betim sofreu um ataque desse tipo. A campeã no período é Belo Horizonte, com cinco roubos desde 2010. Este ano, a capital ainda não foi vítima dos criminosos. Contagem é a segunda cidade com mais registros, tendo três ocorrências computadas desde 2010. A mais recente delas foi no dia 4, quando o prédio da Câmara Municipal foi invadido. O vereador Alessandro Henrique Ferreira (PPS), sua esposa e mais dois parentes acabaram reféns dos ladrões armados, pois retornaram ao local para estacionar o carro no momento em que a quadrilha agia.

No interior
Araxá, no Alto Paranaíba, e Uberlândia, no Triângulo, tiveram prédios públicos transformadas em alvos de ladrões por duas vezes cada uma, desde 2010. Na relação de cidades mineiras que já tiveram repartições públicas atacadas ainda aparecem Ubá, na Zona da Mata, Uberaba, no Triângulo, Pedro Leopoldo, na Grande BH, Alfenas e Machado, ambas no Sul de Minas.

Apesar da alta incidência desse tipo de crime no estado, o delegado Islande Batista não acredita em grupos organizados e especializados nessa modalidade de assalto. Para o policial, são ações "de criminosos que atuam em várias áreas e mudam constantemente. Começam fazendo saidinhas de banco. Se a polícia reprime, passam para roubo a casas lotéricas e assim por diante. Estão sempre estudando locais vulneráveis para tirar proveito rápido da situação", diz Batista.

A Prefeitura de Contagem informa que está implantando o videomonitoramento em locais próximos aos órgãos públicos, como prefeitura, Câmara Municipal e Fórum. Os equipamentos estão em fase de teste. Esses locais também receberão guardas municipais fixos que, atualmente, estão em processo de formação e trabalharão de forma integrada com a PM.

A Secretaria Municipal de Segurança Pública de BH afirma ter feito estudos para saber qual a necessidade de haver caixas eletrônicos em prédios públicos. Onde não houver essa demanda os equipamentos serão retirados. Nos locais em que forem necessários, sua posição será adequada para que tenham melhor visualização externa, iluminação e monitoramento remoto de imagens. Além disso, os prédios passarão por uma padronização de acesso, proibição de entrada de pessoas fora do expediente, capacitação dos porteiros sobre rotina administrativa e acionamento da PM em caso de necessidade.

Explosivos ao alcance da mão
Os ataques a caixas eletrônicos de agências bancárias com explosivos, maçaricos, furadeiras e outros tipos de ferramentas também aumentaram em 2011 em Belo Horizonte e na RMBH, de acordo com números da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). Foram 334 ocorrências no ano passado contra 314 em 2010, acréscimo de 6,3%. Nos dois primeiros meses deste ano foi notada uma pequena redução em comparação com o mesmo período de 2011, mas a realização do carnaval deste ano em fevereiro não permite uma comparação adequada. Segundo a Seds, o primeiro bimestre do ano passado teve 55 crimes contra o patrimônio tendo como alvo caixas eletrônicos. Neste ano foram 39 (-29,1%).

Em BH, o primeiro registro do ano de furto de caixa eletrônico com emprego de explosivos ocorreu em 30 de janeiro, quando ladrões explodiram um equipamento na Rua Jacuí, no Bairro Renascença, Região Nordeste. "Os assaltantes conseguem o material explosivo em pedreiras, mineradoras e locais sem segurança alguma como as obras de beira de estrada que precisam explodir rochas para alargar rodovias", afirma o delegado Islande Batista. Ele teme que novos episódios municiem criminosos com mais matéria-prima. "Na sexta-feira, roubaram 150 quilos de carga explosiva em Sete Lagoas. Quem nos garante que isso não será usado no roubo de caixas?", sugere Batista.

Ainda de acordo com o policial, os ladrões que atuam na região metropolitana não são os mesmos do Triângulo Mineiro, que recebe quadrilhas paulistas. "Bandido também assiste televisão. Eles veem o crime em São Paulo e tentam copiar aqui", diz.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) não informou quantos caixas eletrônicos há na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em nota, a instituição respondeu que "a onda de explosões a esses equipamentos é resultado do deslocamento das quadrilhas de bandidos que sempre buscam novas frentes para agir". Também afirmou que para enfrentar a criminalidade "bancos brasileiros têm atuado em estreita parceria com governos, polícias (Civil, Militar e Federal) e com o Poder Judiciário, para combater crimes e propor novos padrões de proteção".
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Uai

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