Doença misteriosa no Ceresp Ipatinga

Lairto Martins 

Familiares e amigos de presidiários não puderam entrar ontem nas instalações do CERESP, para as visitas
IPATINGA - Uma doença misteriosa provocou decretação de estado de quarentena no Ceresp de Ipatinga, cancelando as visitas desse fim de semana e colocando os presos em Isolamento. A doença teria vitimado duas detentas que compartilhavam a mesma cela da ala feminina da prisão. Aline Vieira teria morrido na terça-feira (08) e Dandara Maiara de Arruda na sexta-feira (11), vítimas de uma doença aguda de causa ainda não determinada. 

Além dessas duas fatalidades, outras detentas, e até guardas de segurança, teriam sido internadas no Hospital Municipal de Ipatinga, com sintomas de febre, vômito, pressão baixa e prostração. A suspensão das visitas faz parte de uma série de medidas de controle adotadas pela Secretaria de Estado de Saúde e de Defesa Social, que incluem o isolamento respiratório da área do presídio, investigação de todos os casos suspeitos e seus contatos, além de medicação preventiva para meningite (com antibióticos) e síndrome gripal aguda (medicação: Tamiflu).


Lairto Martins 

Uma equipe da Secretaria de Saúde do Estado veio até Ipatinga para averiguar a situação e possíveis causas dos problemas que ocorrem no CERESP
Situação “preocupante”
No dia 12 de abril o desembargador Luiz Carlos Rezende esteve na região para constatar a superlotação carcerária nos presídios de Timóteo e Ipatinga, denunciadas pelo Conselho Nacional de Justiça, em 2010. Na ocasião o Ceresp registrava 514 presos, sendo que o local tem capacidade máxima para 120.As celas com capacidade para seis pessoas estavam abrigando em torno de 30. De acordo com o desembargador, a situação de Ipatinga era “muito preocupante”, tendo piorado desde sua visita anterior. 

Falta de informação preocupa famílias de presos do Ceresp
Quando a reportagem do Jornal VALE DO AÇO compareceu no final da manhã deste sábado no Ceresp alguns parentes de presos aguardavam no portão do presídio por notícias  de seus familiares, mesmo sabendo que as visitas já estavam suspensas. Todos correram para o Ceresp depois de ficarem sabendo da notícia do surto da doença misteriosa que acometeu diversos presos, levando duas presas à morte.A principal reclamação dessas famílias era com relação a falta de informação, como explica Dona Maria José de Almeida, 54 anos, que mora em Ipaba e veio visitar e trazer alimentos para um sobrinho que está preso.

Janete Araújo 

Na manhã deste sábado (12), Maria José de Almeida aguardava notícias do sobrinho preso no Ceresp
“Daqui de fora dá para perceber que os guardas usam máscaras de proteção no rosto. Mas fico aflita sem saber como está lá dentro. Não sei se aqueles que estão saudáveis estão realmente protegidos, para evitar contágio com os doentes. A gente tem que acredita naquilo que os guardas ou a assistente social nos contam, pois não temos acesso ao local daqui de fora e eles não passam quase nenhuma informação”, protesta a mulher.

Dona Isabel Ferreira, mora em Ipaba e tem dois filhos presos no Ceresp e também reclama: “Fiquei desesperada assim que fiquei sabendo dos casos dos presos doentes e vim logo para cá. Mas estamos esperando desde cedo sem informação. Nem determinaram um dia ou horário para prestar esclarecimentos. Essa angustia e incerteza me deixa ainda mais preocupada”, reforça a mãe sofrida.

Para os familiares de presos que foram para a porta do Hospital Municipal de Ipatinga em busca de informações a situação não era muito diferente, como afirma Katcilene Oliveira Silva, 34 anos, dona de casa que, junto com a amiga Cláudia, tentava saber se a irmã estava internada: “No portão do Ceresp não souberam me dizer se minha irmã que está presa há 10 meses precisou ser internada. A irmã da minha amiga, a Roseli, também está na mesma cela e não se tem notícia. Decidimos então vir as duas para o Hospital para descobrir se acaso elas vieram para cá. Mas os agentes penitenciários não nos informam nada. Na portaria do hospital nos disseram que não estão autorizados a dar os nomes dos pacientes que foram internados. Para saber o que aconteceu a minha amiga Cláudia marcou uma consulta e está lá dentro tentando conseguir informação. Fiquei aqui fora pois poderiam desconfiar se nos vissem juntas. Tem mais de três horas que isso aconteceu e até agora estou apenas aguardando”, confessa.  

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