Supermercados ficam sem caixas eletrônicos

 Era só caminhar dois quarteirões e o dinheiro estava na mão. Três a quatro vezes por semana, a aposentada Marli Vivas, de 65 anos, andava até o supermercado perto de casa e sacava no caixa eletrônico o valor necessário para as tarefas do dia a dia. Mas a rotina de facilidades e comodidades foi interrompida nas últimas semanas. Sem ceder ao pedido dos estabelecimentos comerciais para contratação de seguranças para fazer a vigilância dos caixas, os bancos foram obrigados a retirar os postos de autoatendimento, complicando, e muito, a vida dos clientes.

Com a onda de ataques a caixas eletrônicos, inclusive com o uso de dinamites, estabelecimentos comerciais foram atacados e obrigados a arcar com o prejuízo, que chegou a R$ 15 mil em um só ataque. Como não recebia nenhum centavo pela cessão do espaço, a rede Supermercados BH foi a primeira a decidir banir os caixas de suas dependências. Ao todo, serão 93 unidades a menos para atendimento bancário. “Tentamos fazer com que eles pagassem o salário de um vigia, mas eles não aceitaram. Disseram que não teriam como arcar”, afirma a gerente do Setor Administrativo da rede, Sheila Lima, recordando que foram registradas ocorrências em duas unidades (Pirapora, no Norte de Minas; e Pampulha, em BH). Em um dos casos o banco se recusou a pagar o valor da reforma do imóvel, estimada em R$ 15 mil.

As instituições financeiras alegam, segundo ela, que os compradores usam o caixa eletrônico para sacar o montante que será usado para pagar a conta no supermercado. Por isso, o equipamento é benéfico para as duas partes. Mas Sheila adverte que a maior parte dos clientes usa cartão de débito ou crédito para comprar. E muitas vezes a pessoa entrava no estabelecimento apenas para retirar dinheiro. Ou seja, eles estavam arcando com a comodidade do cliente dos bancos que, muitas vezes, não era um cliente comum aos dois. “O discurso de que o cliente precisa sacar dinheiro para ir ao supermercado é mentiroso. Portanto, tivemos que tomar essa medida. É insustentável”, afirma a gerente. 

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