PM baleado: revolta e indignação


Os policiais militares de Minas Gerais vivem mais um momento de indignação e revolta. Isto devido à ineficiência do poder judiciário, da incapacidade de investigação, a precariedade do sistema prisional (seu modelo e sua capacidade), a política de pena mínima adotada no Brasil, seja enquanto marco jurídico ou política criminal, somado a um estado que não confere autoridade a sua Polícia, se traduz na impunidade, e na consequente banalização do crime e do crescimento da violência.
Toda a sociedade está sujeita a esta consequência. Mas nenhum outro profissional, além do policial militar, está mais exposto a esta fragilidade estatal, uma verdadeira falência do sistema de segurança pública e persecução criminal que se verifica no Brasil.

Os policiais militares de Minas Gerais estão mais uma vez chorando, esperando por um milagre que possa restabelecer a saúde do Cabo Gladstone, do 34º BPM, profissional respeitado entre seus colegas. Comandante de Guarnição, operacional, correto, legalista, merecedor da confiança de seus comandantes, orgulho de sua esposa e familiares, que sonhava educar seu filho, com o qual falara por telefone 5 minutos antes de ser covardemente baleado, no interior, longe da violência que ele combatia, e que parecendo pressentir sua sorte, queria uma oportunidade melhor para ele.
Que ironia! O bandido que o vitimou, fora salvo por ele e sua equipe há poucos meses. 
Expulsos por seus ex-comparsas do “buraco do piru” no Carlos Prates, onde vivia e se refugiava, estava jurado de morte, e o Cabo Gladstone, defendendo-o como defendeu tantos outros, abordou seus inimigos, enfrentou numa troca de tiros, e salvou-lhe a vida. Salvou o seu algoz...
O bandido que o vitimou fora preso em 24 de dezembro por um homicídio consumado e outro tentado. Encerrando seu prazo na prisão, a Doutora Alexandra, Delegada da Polícia Civil que cuidava de seu inquérito, requereu sua prisão preventiva em 04 de abril de 2012. Mas a Justiça não analisou o seu pedido, e no dia 24 de abril ele fora solto... pela justiça.

Somente a Policia Militar já o prendeu pelo menos 4 vezes. 
O Cabo Gladstone é, de fato, um policial destemido. Já estava jurado de morte por outros bandidos. Tanto assim, que já estava residindo em um imóvel funcional do programa Lares Gerais, destinado àqueles em que a Instituição reconhece o seu risco de vida em razão da profissão.
O cabo Gladstone não merecia esta covardia, uma emboscada, uma tentativa de execução cruel, desumana... seu sangue há de correr nas veias de cada um dos policiais de Minas, para continuar nossa missão que é das mais nobres e mais arriscada: doar a vida para defender a do nosso semelhante.
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Tenente Gonzaga  
Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da ASPRA-PM/BM

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