Seds desativa pocilga no Ceresp

Desativação foi feita depois de denúncia publicada pelo Diário Popular; detentas que trabalhavam nas proximidades sofreram contaminação desconhecida e morreram
Chiqueiro e galinheiro desativados ficavam próximos de uma horta e um galpão de artesanato usado pelas detentas

IPATINGA – O chiqueiro e o galinheiro existentes nas dependências do Centro de Remanejamento de Presos, o Ceresp, foram definitivamente desativados. Depois da retirada dos porcos, no dia 8 de outubro, na semana passada a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) determinou que as pocilgas fossem desmontadas, as galinhas vendidas e o galinheiro também desativado. 
Conforme a Seds, aves e porcos não serão mais criados dentro do Ceresp por questões de segurança. A área desativada ficará por enquanto livre. Sobre o valor arrecadado com a venda dos animais a Secretaria informou que foi depositado pela unidade prisional ao Estado, por meio de um Documento de Arrecadação Estadual (DAE).

DENÚNCIA
A desativação do chiqueiro e do galinheiro ocorreu logo depois de uma denúncia publicada pelo DIÁRIO POPULAR – no último dia 16 – quando um grupo de agentes denunciou sob quais circunstâncias aves e porcos estavam sendo criados na unidade prisional. Conforme noticiado (com fotos), os animais estavam sendo criados juntos, sem nenhuma condição de higiene e bem ao lado de uma horta e um galpão de artesanato, utilizado pelas detentas. 
Ainda conforme as reclamações, os porcos eram abatidos covardemente a machadas, pauladas e facadas dentro do próprio chiqueiro por um agente penitenciário. As partes do animal também eram cortadas no mesmo local, que não possui estrutura física e higiene para a prática - e depois vendidas sem qualquer fiscalização. 

MURO
Outro fato apontado na reportagem que denunciou a situação do Ceresp era que o chiqueiro ficava encostado no muro, facilitando a fuga de detentos. O que de fato ocorreu. No dia 1º de outubro, um preso que aproveitou a distração de um agente penitenciário conseguiu fugir subindo no telhado do chiqueiro e escalando o muro que dá acesso à área externa do presídio. Ainda conforme a denúncia dos agentes, o detento teria utilizado uma manta que cobria o telhado da pocilga para se proteger do arame farpado sobre o muro. O detento foi recapturado no Centro de Ipatinga. À época, a própria Seds confirmou a fuga e disse que um procedimento administrativo seria instaurado na unidade para detectar a responsabilidade. 
Coincidentemente, logo depois que o preso fugiu, todos os porcos foram abatidos de uma só vez, conforme disseram os agentes à reportagem. Segundo contam, eram mais de 10 porcos pesando aproximadamente 300 quilos cada um, além dos filhotes.

Telhado havia sido instalado a mais ou menos um metro de distância do muro

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