Minas ignora bloqueador e abre caminho para celular na prisão


O governo de Minas está com a faca e o queijo nas mãos para criar uma barreira contra retaliações do crime organizado e jogar uma pá de cal na corrupção entre os servidores do sistema prisional.

Bloqueadores de telefones celulares testados na penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foram aprovados pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) em janeiro de 2010.

Mas, passados quase três anos, o equipamento eletrônico ainda não foi instalado no maior presídio de Minas, onde um pavilhão é reservado a presos ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo.

O custo da operação do sistema de bloqueio é estimado em R$ 170 mil por mês, valor considerado baixo por especialistas em segurança pública.

Atestado

O teste-piloto com os bloqueadores foi feito em todos os pavilhões e anexos do complexo penitenciário de 24 de novembro de 2009 a 4 de janeiro de 2010.

Declaração da Seds atestando a eficácia do equipamento foi repassada ao Hoje em Dia por uma fonte da área de tecnologias em segurança, que pediu anonimato.

No atestado de capacitação técnica, o então diretor-geral da Nelson Hungria, Cosme Dorivaldo Ribeiro dos Santos, afirma que, como “proposto em contrato”, o sistema de bloqueio estava “funcionando conforme as expectativas, sem interferir na parte externa do presídio”.

A pedido da diretoria, o sinal de celular só não foi bloqueado na área administrativa da penitenciária.

Anticorrupção

No atestado, o ex-diretor da Nelson Hungria ressalta que o bloqueio coibiria a corrupção de funcionários do sistema prisional, que facilitam a entrada de celulares nas celas. “(...) consequentemente, contribuirá para a diminuição das ações criminosas comandadas por presos”, destaca o texto.

Acordo

A reportagem procurou a Polsec Indústria e Comércio de Equipamentos de Segurança Ltda, responsável pelo teste-piloto na Nelson Hungria. O especialista em tecnologias para segurança pública Hudson Lima, representante da empresa, confirmou que os bloqueadores foram testados após acordo de cooperação técnica assinado entre a empresa e a Seds.

Segundo ele, a Polsec investiu R$ 700 mil na instalação de equipamentos, sem ônus para o Estado. “Após os testes, deixamos os bloqueadores funcionando por 30 dias, sem nenhum custo. Tudo funcionou 100%”. O especialista preferiu não fazer comentários sobre a declaração emitida pela Seds.
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