Movimento de bares cai até 40% com Lei Seca mais dura

Desde que o governo adotou a tolerância zero na Lei Seca, no fim de janeiro, o movimento nos bares de Belo Horizonte caiu. "Janeiro já é um mês mais fraco e a lei contribuiu para essa queda ser mais acentuada", diz o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG), Fernando Júnior. 

Ele afirma que o movimento nas casas que ficam em regiões onde há blitze chega a despencar até 40% nos dias em que as operações são realizadas. "Se existe fiscalização, esse ponto é mais prejudicado. O que muda o comportamento das pessoas não é a lei, é a fiscalização", afirma. 

Com três casas em Belo Horizonte, a choperia Almanaque viu o movimento cair em 30% desde que a legislação ficou mais rigorosa. "A gente faz promoções, mas mesmo assim é difícil. O cliente fica com medo", diz o sócio Rodrigo Peixoto. 

Alternativas. Para tentar reduzir o impacto, a casa fez um convênio com uma cooperativa de táxi para dar desconto aos clientes. Não há uma regra estabelecida para a concessão do benefício, mas ele é oferecido conforme o número de ocupantes da mesa e o consumo.
Na Pinguim, no Sion, a gerente de marketing Carolina González Martini diz que o movimento em janeiro já é mais fraco do que o normal. "Mas as pessoas estão tomando mais cuidado", afirma. 
A estratégia da casa para não perder clientes é intensificar o uso de um serviço que já é oferecido desde a inauguração: uma van que faz o transporte de grupos de até oito pessoas em um raio de cinco quilômetros do bar. O veículo busca todos os ocupantes em um lugar combinado e devolve no mesmo lugar, sem nenhum custo.

"Temos esse serviço há muito tempo, mas quase ninguém usa. As pessoas não acreditam que é de graça", diz Carolina.

Ela diz que no último ano a venda de bebidas não alcoólicas subiu 40% na casa, mas não relaciona esse aumento à Lei Seca. "Começamos com o serviço de buffet no almoço e foi isso que aumentou o consumo de água, suco e refrigerante", diz a gerente. Segundo Carolina, a venda de bebidas alcoólicas permaneceu estável no período.

O presidente da Abrasel-MG, Fernando Júnior, diz que, com a nova Lei Seca, a tendência é que o consumidor prefira frequentar bares perto de casa. "É mais fácil de conseguir uma carona ou voltar a pé", afirma.

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