O uso indiscriminado de gás lacrimogêneo é considerado "tortura"

O uso frequente do gás lacrimogêneo para intimidar e dispersar manifestantes, como aconteceu na Turquia nas últimas três semanas, é equivalente à tortura, denunciaram nesta quinta-feira (19) seis associações médicas turcas.
"O gás não foi usado como forma de controlar distúrbios, mas como arma química", afirmou em entrevista coletiva, realizada hoje em Istambul, Ümit Biçer, da Associação dos Médicos Legistas.
Biçer ressaltou que o gás lacrimogêneo nunca deve ser utilizado em espaços fechados ou a uma distância de menos de cinco metros das pessoas, e denunciou que foram jogadas bombas desse tipo no interior de um hotel lotado de manifestantes que se escondiam da polícia.
Segundo uma pesquisa feita na internet, 21% dos que declararam ter inalado gás estavam em espaços fechados.
"Além disso, a polícia utilizou as bombas de gás como munição, como se fossem balas de fuzil, ao dispará-las diretamente contra as pessoas", acrescentou o médico, que disse ter visto pessoas terem traumatismos cranianos e perderem olhos por causa dos impactos.
O especialista acrescentou que "também configura tortura adicionar substâncias químicas, como uma solução de gás de pimenta, nos jatos de água dos canhões da polícia". A prática, documentada pela imprensa turca, foi confirmada pelos testemunhos de várias vítimas que sofreram graves irritações cutâneas ao serem atingidas pelo que o governador de Istambul, Hüseyin Avni Mutlu, havia descrito como "água com uma solução médica".
R7

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