Capitão da PM é preso por duplo homicídio em Ipatinga




Capitão Charles estaria envolvido num triângulo amoroso
Já se encontra recolhido em uma cela especial do 39º Batalhão da Polícia Militar, em Contagem, o Capitão da PM Charles Clemencius Diniz Teixeira, 42 anos. Ele foi preso na manhã desta sexta-feira (19), em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela juíza Ludmila Lins Grilo, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Ipatinga.
O militar e a namorada dele, C.R.F., 29 anos, foram denunciados pelo Ministério Público como mandantes da morte do mecânico Diunismar Vital Ferreira, o “Juninho”, de 41 anos, em uma padaria no bairro Veneza, em agosto de 2007. Os dois ainda irão responder pela morte do instalador de máquinas José Maria, 58 anos, que estava no estabelecimento comercial no dia do crime e acabou baleado, apesar de nada ter a ver com a confusão.
Diunismar estava sentado em uma mesa do lado de fora do estabelecimento, momento em que dois indivíduos não identificados aproximaram-se em uma motocicleta. Antes que a vítima esboçasse qualquer reação, o garupeiro, sem sair da moto, efetuou diversos tiros na direção de “Juninho”. A vítima tentou fugir entrando na padaria. Mas o atirador desceu da motocicleta e da porta da padaria efetuou mais tiros, que acertaram várias partes do corpo de “Juninho”.
Os disparos efetuados pelo assassino também atingiram a vítima José Maria, que estava na mesma mesa que Diunismar. A segunda vítima chegou a ser socorrida para o hospital, onde morreu durante um procedimento cirúrgico. José Maria trabalhava em manutenção de máquinas de postos de combustíveis, estando na cidade em serviço.
ENTENDA
Diunismar vivia em uma união estável com C.R.F., que por sua vez mantinha um relacionamento extraconjugal com o Capitão Charles, que à época era casado com outra mulher. Ao descobrir a traição, “Juninho” passou a se desentender com a mulher, tendo constantes atritos com o oficial da PM, que o ameaçou. À época o oficial chegou a ser transferido para Belo Oriente.
Segundo as investigações feitas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), horas antes do duplo homicídio Diunismar e a mulher tiveram uma calorosa discussão, ocasião em que ele chutou a porta do veículo Astra que estava em nome do Capitão Charles. Após o comportamento agressivo de “Juninho”, a mulher teria feito ameaças a ele, dizendo: “Dessa noite você não passa!”. “Resta certo que os denunciados foram os mandantes do crime, em razão da vida dupla mantida pela denunciada (C.R.F.), que deu início às contendas entre os acusados e a vítima”, diz trecho da denúncia.
O MP denunciou os acusados por homicídio triplamente qualificado: por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa das vítimas e por meio cruel. Sendo assim, a Promotoria de Justiça requereu a prisão preventiva de Charles Clemencius por considerar que ele é uma ameaça à ordem pública e que as testemunhas no caso se mostram atemorizadas em contribuir com as investigações e a sequência do processo.
JORNALISTA
O caso “Juninho” era um dos inúmeros trabalhos investigativos do repórter policial Rodrigo Neto, assassinado no dia 8 de março deste ano, ao sair de uma barraca de churrasquinho, no bairro Canaã. Durante anos, o jornalista trabalhou para que o duplo homicídio não caísse no esquecimento e que os culpados fossem punidos. O inquérito policial do crime tramitou na 1ª Vara Criminal de Ipatinga e esteve nas mãos no MP por pelo menos oito vezes entre março de 2007 e agosto de 2011. Diunismar e José Maria foram mortos do mesmo jeito que o jornalista e bacharel de Direito Rodrigo Neto de Faria.
 
JVA

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