Condutor saca pistola e atira contra carro de reportagem de O Tempo

Inicialmente, não era uma matéria de trânsito. Tratava-se apenas do trajeto de uma pauta e do retorno para a redação, mas nesse caminho a reportagem de O TEMPO vivenciou um crime que retrata a banalização da violência no trânsito das grandes cidades. Um condutor que dirigia de maneira irresponsável pela avenida Cristiano Machado sacou uma pistola e disparou contra o carro do jornal ao perceber que era fotografado.

O veículo do jornal transitava pela avenida no sentido centro, na região de Venda Nova, por volta das 13h de ontem, quando o motorista do Uno prata começou a provocar, acelerando e freando seguidamente. A situação se estendeu por cerca de cinco minutos até que o motorista da reportagem reagiu piscando o farol e permanecendo na faixa. Diante da irresponsabilidade e pensando em fazer uma matéria de trânsito, o fotógrafo, que seguia no banco do carona, registrou as imagens do Uno.
Ao perceber o flagrante, o homem se irritou e decidiu dar passagem ao carro da reportagem. Ao passar pelo Uno, o fotógrafo fez novamente uma imagem do motorista. A ação foi o estopim para que o homem emparelhasse o veículo e gritasse alguns palavrões. Em poucos segundos, ele sacou uma arma e, sem pestanejar, atirou contra o carro.

Após o tiro, o Uno seguiu em disparada, cortando de forma perigosa os demais veículos que também seguiam na Cristiano Machado. Poucos metros adiante, o motorista do jornal percebeu que a bala havia atingido o pneu dianteiro esquerdo. A equipe parou, efetuou a troca e acionou a Polícia Militar.
“Na hora em que vi a arma, pensei que fotografá-lo seria uma forma de me defender e de intimidá-lo. Talvez assim ele pudesse não atirar. Sei que corri muito risco, mas não me arrependo de ter feito a imagem. Foi também uma forma de registrar uma violência como essa”, disse o fotógrafo.
No banco de trás, acompanhei a cena e, automaticamente, me abaixei. A primeira coisa foi me lembrar de tantos crimes banais de que acompanhamos e que nunca entendemos como eles se iniciam e como podem terminar em tragédias. Imaginei que seríamos mais um caso. Por sorte, não fomos.
Investigação. A equipe acionou a Polícia Militar, pelo telefone 190, e também o Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP). A polícia foi até a casa do homem que aparece como o dono do veículo, em Vespasiano, na região metropolitana da capital. Ele disse que vendeu o carro e que não tinha notícias do comprador.

Na noite de ontem, a delegada Fabíola Batista de Oliveira informou que havia localizado o carro abandonado em Vespasiano com a documentação do suspeito, droga e os óculos. O autor responderá por tentativa de homicídio.
* Os nomes dos integrantes da equipe de reportagem foram omitidos por segurança.

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