MP denuncia detetives pela “Chacina de Revés"

Os quatro investigadores de polícia já se encontram presos preventivamente. Um deles, Ronaldo, também é acusado de outro crime parecido ocorrido em 2010


 
IPATINGA – Quatro investigadores da Polícia Civil que eram lotados na 1ª Delegacia Regional de Ipatinga foram denunciados pelo Ministério Público (MP) da comarca de Caratinga pelo múltiplo assassinato que vitimou quatro adolescentes, em 2011. O caso ficou conhecido como “Chacina de Revés do Belém” e por várias vezes o jornalista e radialista Rodrigo Neto – assassinado em 8 de março último – cobrou mais empenho das autoridades policiais para a elucidação do crime.

Leonardo Alves Correa, José Cassiano Ferreira Guarda, Jimmy Casseano Andrade e Ronaldo de Oliveira Andrade são os principais acusados de por fim à vida dos adolescentes moradores do bairro Caravelas. A acusação foi assinada por cinco promotores de justiça e encaminhada ao judiciário.

O Ministério Público não pediu a prisão preventiva dos acusados, pois eles já tiveram a prisão temporária convertida em preventiva e se encontram acautelados na Casa de Custódia do Policial Civil em Belo Horizonte.



Os três menores das fotos e um quarto adolescente (Felipe) foram vistos pela última vez na Delegacia de Ipatinga
ENTENDA
Os corpos de John Enison da Silva, de 15 anos; Nilson Nascimento Campos, de 17 anos; Felipe Andrade, de 15 anos, e Eduardo Dias Gomes, de 16 anos, foram encontrados na localidade de Revés de Belém, distrito da Caratinga, no dia 30 de outubro de 2011. Eles estavam nus e com perfurações de disparos de arma de fogo na nuca.

Consta no inquérito policial remetido ao MP que no dia 24 de outubro daquele mesmo ano, os investigadores desferiram disparos de arma de fogo e depois ocultaram os cadáveres. Segundo concluíram as investigações feitas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), por volta de 12h John Enison e Nilson Nascimento foram apreendidos como suspeitos de tráfico de drogas e levados à 1ª DRPC, no Centro de Ipatinga, junto com outros dois maiores. Após serem ouvidos os menores foram liberados.

VIATURA APEDREJADA
No entanto, segundo a denúncia, após serem liberados os dois jovens ficaram no pátio da delegacia junto com os colegas, também adolescentes, Eduardo Dias Gomes, Felipe Gomes de Andrade e uma menina. Todos aguardavam pela liberação dos maiores conduzidos e enquanto isso cantavam músicas ofensivas à polícia. O comportamento dos jovens teria provocado alguns policiais civis que chegaram a adverti-los e depois agredi-los.

Uma testemunha contou que após as agressões, por volta de 18h, os menores deixaram o pátio da delegacia e, ao irem embora, um deles teria arremessado uma pedra contra uma viatura da Polícia Civil.  Conforme os autos do inquérito policial, os adolescentes foram perseguidos pelos investigadores e novamente colocados dentro da cela correcional, onde foram novamente agredidos fisicamente pelos acusados.

Os detetives foram reconhecidos por uma testemunha que ainda contou que após as vítimas sofrerem as agressões foram levadas da delegacia. Somente uma semana depois é que os corpos das vítimas foram encontrados em meio a uma plantação de eucalipto. Ainda segundo as apurações, não foi feito nenhum tipo de procedimento para apurar o dano causado na viatura policial e nem foi registrada a captura ou liberação das vítimas após o carro da PC ser apedrejado.

O Ministério Público entendeu que o crime de homicídio foi praticado com quatro qualificadoras: por motivo fútil; mediante recurso que dificultou defesa da vítima; assegurar a ocultação do crime de agressão e mediante ação atípica de grupo de extermínio.

DUPLO HOMICÍDIO
O investigador de polícia Ronaldo de Oliveira Andrade é acusado de outro crime também investigado pelo DHPP, pelo qual já está preso preventivamente. O detetive foi denunciado pelo MP pelas mortes dos lavadores de carros Marcos Vinícius Lopes de Oliveira, 18 anos, e Glauco Antônio Lourenço, de 22 anos. O crime foi descoberto no dia 10 de julho de 2010. Com o mesmo “modus operandi” usado na “Chacina de Revés do Belém”, os dois rapazes foram executados com tiros na cabeça e os corpos também foram encontrados nus, em avançado estado de decomposição.
JVA

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