Policial Militar é preso por dar informações para supostos traficantes em BH

Um grupo de 14 pessoas supostamente envolvidas com o tráfico de drogas nos bairros Belmonte, São Gabriel, Nazaré, Ribeiro de Abreu, Beira Linha e Ouro Minas, região Nordeste de Belo Horizonte, escapava de ser preso pela polícia porque seus dois líderes recebiam informações privilegiadas de um cabo da Polícia Militar, lotado no 16º Batalhão, sobre a realização de operações e buscas na região. 
 
Toda vez que o cabo ficava sabendo que a PM ou a Polícia Civil ia promover operações contra traficantes ou assaltantes nos bairros, ele se encontrava com os traficantes e avisava: "amanhã vai ter churrasco", o que provocava o desaparecimento da maioria dos criminosos, que escondiam as drogas, crack e cocaína, para evitar prisões e apreensões. 
 
A Polícia Civil prendeu dois grupos que eram investigados desde maio porque estavam traficando drogas e assaltando na região. Eles foram localizados e detidos para cumprir prisões preventivas decretadas pela Justiça. Os supostos criminosos foram apresentados nesta sexta-feira (12) na 1ª Região Integrada de Segurança Pública.
 
A polícia informou que os grupos não eram ligados entre si. Dentre os presos estão quatro mulheres que atuavam no tráfico de drogas e cinco homens que praticavam assaltos, principalmente contra postos de gasolina. O nome do militar que ajudava o bando e está preso no 5º Batalhão da PM não foi divulgado. Ele cumpri prisão preventiva decretada pela Justiça.
 
O delegado Rodolfo Rabelo, que preside os inquéritos, disse que as relações do militar com os líderes do tráfico nos bairros estão sendo investigadas porque não existem confirmações sobre se o cabo fornecia informações privilegiadas em troca de dinheiro ou de drogas. 
 
Dez das 14 pessoas supostamente ligadas ao tráfico foram ouvidas nesta sexta pela imprensa e negaram envolvimento com o tráfico. Eles alegaram que são inocentes. Entre as mulheres presas a mais velha, de 46 anos, possui seis filhos e dois netos, também garantiu não ter envolvimento no crime. Todos os suspeitos, que respondem inquéritos por tráfico e por associação para o tráfico, serão levados a julgamento pela Justiça e poderão ser condenadas a mais de oito anos de prisão. Os cinco homens que estariam praticando assaltos na região do Bairro Belmonte também alegaram inocência, mas serão levados a julgamentos e poderão ser condenados a mais de seis anos por roubo e porte de armas.
 
Nas investigações realizadas por policiais civis descobriu-se que os dois homens que lideravam o tráfico de drogas, J. F. S., 30 anos, sem antecedentes criminais, e D. W. S., 25 anos, que tem registro na Polícia Civil por homicídio, usavam até parentes que o preparo e a venda de drogas, e atuavam principalmente com a venda de pedras de crack e cocaína. 
 
Os supostos líderes não quiseram falar sobre o fato de supostamente serem favorecidos por causa das informações que eram fornecidas pelo cabo da PM. A polícia informou que quando a operação era especial, com centenas de policiais e muito aparato de armas, o militar avisava que "amanhã tem um churrascão". Assim, os criminosos conseguiram escapar das buscas da polícia por longos anos, até que foram presos em maio passado.
HD

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