Maioria das armas apreendidas em São Paulo é de fabricação nacional e de origem legal

Estudo divulgado nesta quarta-feira (21), pelo Instituto Sou da Paz revela que cerca de 68% das armas apreendidas em flagrantes na capital paulista são de fabricação nacional e têm origem legal e que 40% delas não tiveram a numeração raspada. O estudo As Armas do Crime analisou 466 apreensões feitas no período de abril a junho de 2011. Na avaliação do instituto, ao traçar um diagnóstico das armas usadas pelos criminosos, o trabalho desconstrói mitos relacionados ao comércio ilegal de armas, que impedem políticas públicas adequadas ao enfrentamento da questão.
"Existe o pensamento de que o mercado legal não tem relação com o ilegal e de que as armas que estão nas mãos dos criminosos vêm do exterior", disse o coordenador da área de Sistemas de Justiça e Segurança do instituto, Bruno Langeani. Segundo ele, a reprodução de muitos desses mitos pode ser vista na justificativa de projetos de lei que querem flexibilizar o Estatuto do Desarmamento. "Se não houver um estudo para rebater isso, esse pensamento avança no Congresso Nacional."

Langeani explicou que o fato de algumas armas conservarem a numeração permite o rastreamento e a descoberta do origem do desvio. "É uma quantidade relevante, que daria para fazer um trabalho muito qualificado e saber de onde essas armas estão vindo para atuar na raiz", ressltou. De acordo com o estudo, a raspagem da numeração varia de acordo com o tipo de arma. Os revólveres tiveram maior percentual de adulteração, com 57,1%. Nas pistolas, o número cai para 40,4%, e, nas espingardas, para 18,8%.
Para o Instituto Sou da Paz, ao constatar que a maioria das armas usadas por criminosos em São Paulo são fabricadas no Brasil, a política pública deve ser orientada para restringir ainda mais o mercado interno. "Não é que esse problema [de entrada de armas pelas fronteiras] não exista, mas é preciso ver qual o problema principal. Esse diagnóstico mostra que o problema está nas armas fabricadas aqui", afirmou. Segundo o estudo, 56,2% das armas são da marca Taurus e 11,9%, da Rossi.
Uma das soluções apontadas pelo instituto é a adoção de novas tecnologias, como a instalação de chips nas armas de fogo. Esse instrumento pode fornecer todas as informações do armamento, o que facilitaria o trabalho da perícia e contribuiria para o esclarecimento de crimes e a identificação dos responsáveis pelos desvios.
O TEMPO

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