No Brasil, assassinatos são "ocultados" e homicidas ficam na penumbra

Ilustrativa imagem
A Secretaria de Estado de Defesa Social informa que neste ano 2.243 pessoas foram assassinadas em Minas. Em média, 11 por dia – ou 2,3% mais que nos primeiros sete meses do ano passado. No entanto, na capital, diminuiu em mais de 19% o número de assassinatos, embora tenha aumentado, de 14,8 mil para 17 mil, o número de vítimas de crimes violentos que abrangem também tentativas de homicídio, sequestros, roubos e estupros. Um dado coerente com a crescente sensação de insegurança na qual vivem os moradores de Belo Horizonte.
Uma sensação que tende a aumentar depois que uma pesquisa divulgada no fim de semana revelou que o número real de assassinatos no Brasil é bem maior do que o indicado pelos dados oficiais que, por si mesmos, são espantosos. Por eles, já sabíamos que o Brasil é um dos países do mundo em que mais pessoas são assassinadas.
Agora, um pesquisador do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea), do governo federal, Daniel Cerqueira, descobriu que aproximadamente 8,6 mil homicídios cometidos anualmente no Brasil não entram nas estatísticas, porque não são registrados como homicídios no levantamento oficial feito pelo Ministério da Saúde.
O pesquisador ficou curioso ao descobrir que, nos últimos 15 anos, aproximadamente 175 mil pessoas morreram de forma violenta no Brasil, sem que as autoridades identificassem as causas. Ele fez cruzamento de dados, pesquisando caso a caso, e concluiu que 74% das mortes violentas indeterminadas, segundo a estatística, eram homicídios. Ou seja, a taxa de homicídios no Brasil é mais de 18% maior do que a registrada oficialmente. A distorção seria provocada pela falta de comunicação entre a polícia e as secretarias de saúde que alimentam o banco de dados do governo federal.
O Mapa da Violência divulgado no mês passado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americano mostrou que entre 1980 e 2010 mais de 799 mil pessoas perderam a vida no Brasil vítimas de armas de fogo. Outros estudos dizem que há no país mais de 15 milhões de armas de fogo nas mãos de civis. Das 9 milhões de armas não registradas, metade pertence ao crime.
É importante tirar esses números da penumbra em que se ocultam, para que haja mais clareza nas políticas públicas contra a violência. Com apoio da população, o governo pode resistir aos pleitos da poderosa indústria de armamentos e participar com mais vigor das negociações da ONU visando ao Tratado de Comércio de Armas.
HD
 

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