O policial pode ser abordado?


Dentre tantos requisitos e exigências para se tornar policial, uma certa conduta talvez devesse ser destacada como essencial e mais importante: aceitar ser submetido a busca pessoal em abordagens. É a partir dessa premissa que se determina o desprendimento de vaidades e o pacto com os princípios que balizam o correto desempenho da atividade de agente de segurança.
Há um conceito equivocado, cada vez mais popular entre a sociedade e os policiais, de que esses agentes são homens acima da lei, dispensados de cumprirem com as obrigações típicas de quaisquer cidadãos. Não é direito de policial algum descumprir normas de trânsito, deixar de pagar por serviços, ter prioridades e prerrogativas além das estritamente legais, e mais do que tudo isso, é inconcebível que um policial resista e se recuse a ser alvo de busca em seu veículo e em seu corpo.
Trata-se de uma negação plena da seriedade do serviço, como se a revista significasse um sofrimento ou condenação. O procedimento técnico não submete a pessoa a constrangimento nem representa violência ou agressão. Pode parecer traumática a violação, mas deve ser aceita como atitude de abdicar da vaidade, cedendo em prol da supremacia do interesse público, voltado para a tão clamada segurança da sociedade.
Ser policial não é atestado de honestidade, há inúmeros registros de integrantes das corporações, em diferentes níveis, sendo presos pela prática de diversos crimes, seja no serviço (fardado) ou de folga. Tristemente, é preciso admitir que haja policiais facilitando a fuga de criminosos que praticam roubo a banco, ao conduzir suas armas, o dinheiro arrecadado, ou até a quadrilha em seu próprio veículo particular. Quando parado em uma blitz ou barreira de contenção, apresenta uma carteira de identificação e o “colega” o dispensa, permitindo a impunidade do crime. Assim também ocorre com o tráfico de drogas e outros tipos penais.
Deplorável é o pensamento daquele que dificulta o desempenho das funções legais de um colega de serviço, seu dever é justamente facilitar a ação. Toda busca pessoal deve ser feita dentro da técnica, sem pancadas nem xingamentos. Todo militar ou policial tem, por obrigação, que aceitar o trabalho de quem está fazendo sua parte na labuta por mais segurança. Quem pensa diferente, infelizmente, marcha na direção contrária de uma sociedade justa e civilizada.
FONTEABORDAGEM POLICIAL/CB JÚLIO

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