Réu nega participação no crime e diz ter sido torturado por policiais

Apontado com um dos pistoleiros do crime que ficou conhecido como Chacina de Unaí, Rogério Allan Rocha Rios foi o penúltimo a ser ouvido no terceiro dia de julgamento e negou qualquer participação nas mortes. Ele confirmou o que disseram as testemunhas de defesa e afirmou que, no dia das mortes dos três fiscais do Ministério do Trabalho e do motorista que trabalhava com eles, estava em Salvador (BA). Seu advogado de defesa disse que Rios só confessou o crime anteriormente porque foi torturado e ameaçado.


Segundo Rogério, são falsas as provas que a Polícia Federal tem contra ele, assim como a carta escrita para Erinaldo falando sobre o crime e sua assinatura no hotel onde teriam ficados  hospedados os pistoleiros um dia antes da execução. Rios jogou a responsabilidade sobre um ex-cunhado, com quem diz ter sido confundido, e afirmou que o homem participou da chacina.
"Eu não sei quem escreveu a carta, mas não fui eu. Já sobre o hotel, acredito que um ex-cunhado meu, o Mauro de Jesus, tenha usado os dados dele. Isso porque, dias antes do crime, eu tinha passado um xerox de um documento de identidade meu para resolver uma dívida que eu tinha", disse Rios em depoimento na sede da Justiça Federal, em Belo Horizonte.

O réu afirmou que estava em Salvador trabalhando como motorista para um espanhol. Porém, as investigações da polícia dão conta que esse estrangeiro só chegou ao Brasil no dia 8 de fevereiro, 11 dias depois da chacina.

Questionado pela juíza Raquel Vasconcelos sobre sua participação do crime, Rogério disse: "Eu não sou santo, não, mas desse crime de Unaí eu não participei. É o Erinaldo quem tem que explicar esse crime". Rios se negou a responder as perguntas da acusação.

O advogado de defesa dele, Sérgio Moutinho, fez uma série de perguntas a seu cliente e tentou cravar que ele só confessou o crime à polícia porque foi agredido pelos policiais. "Eu fiz xixi na calça, por que não me deixaram ir ao banheiro. Colocaram um saco na minha cabeça. Disseram que, se eu não assinasse a bronca, não sairia dali vivo", afirmou o réu, informando, ainda, que os outros pistoleiros também sofreram agressões.
O TEMPO

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