Há 90 dias em greve, policiais civis devem fazer novo ato nesta quarta-feira na ALMG

Há exatos 90 dias em greve, os policiais civis aguardam a apreciação do texto da Lei Orgânica, que trata das condições impostas à categoria, na próxima quarta-feira (11), pela comissão de fiscalização financeira e orçamentária. Em seguida, se aprovada, a Lei será enviada para votação em plenário em primeiro turno, nos dias 17 e 18, e em segundo turno, nos dias 23 e 24. 
 
Anteriormente, a apreciação do texto pela comissão estava prevista para a última quarta-feira (4), mas foi adiada. Na ocasião, cerca de 1.200 policiais civis foram até a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul da capital, e protestaram contra o adiamento da votação. Segundo o presidente do Sindpol, Denilson Martins, a demora para a votação é preocupante. 
 
"Os policiais estão muito insatisfeitos, pode haver até uma ruptura institucional se a situação não for resolvida logo", afirmou. Martins denunciou que o ânimo entre representantes do Sindicato de Delegados da Polícia Civil (Sindepo-MG) e do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sindspol) estão bastante acirrados, o que prejudica, inclusive a credibilidade das instituições. 
 
O impasse deve-se ao modo como ambas as categorias são tratadas no novo texto da Lei Orgânica. Para o Sindpol, a lei é insuficiente e, por isso, exige que o projeto seja trocado pelo substitutivo feito em 2011 pelas entidades de classe. 
 
Segundo o sindicato dos policiais, a lei não compreende a rotina de trabalho dos policiais civis e ainda retira direitos, como a promoção a nível especial e única proposta de aumento de cargos para delegados. "Por tudo isso, convocamos os policiais para estarem na porta da ALMG na quarta a partir das 10 horas. Esperamos reunir o dobro da semana passada, ou seja, devem ir pelo menos 2 mil policiais", disse. 
 
A votação está marcada para as 14 horas da quarta-feira (11). 
 
Ofício 
 
O relator da comissão, deputado Lafayette Andrada, encaminhou o ofício ao chefe da Polícia Civil Cylton Brandão com as datas previstas para a realização das sessões. O calendário, que atende à solicitação dos policiais civis, foi publicado nesta segunda-feira (9) pelo Sindpol. 
 
Greve 
 
Há quase três meses com os braços cruzados, eles exigem melhorias nas condições de trabalho. Alguns profissionais estão acampados na porta da ALMG para pressionar a substituição do texto da lei. De acordo com o Sindpol, os policiais se revezam nas 20 barracas montadas no local.  
 
A pauta de reivindicações dos policiais ainda prevê o sucateamento das estruturas da Polícia Civil e a equiparação do salário da base a um terço do salário de delegado geral grau B, a reestruturação das carreiras administrativas, concurso público para nomeação de mais investigadores e melhores condições de trabalho.
 
Redução no número de investigações
 
A greve dos policiais civis, de acordo com o Sindpol, estaria dificultando a solução de crimes. Isso porque o número de inquéritos encaminhados à Justiça teria caído bruscamente, conforme o presidente do sindicato Denilson Martins. "No ano passado foram entregues de janeiro a agosto mais de 123 mil inquéritos para a Justiça, neste ano, apenas 80 mil. O que, diferentemente, do que vem sendo dito pelo governo não cumpre a meta estabelecida", afirmou. 
 
Martins atribuiu ainda à infraestrutura precária das delegacias e departamentos da Polícia Civil a redução no número de inquéritos encaminhados. "Há delegacias sem tonner nas impressoras e em outras há um limite para que as viaturas só trafegem 30 quilômetros por dia", afirmou. 

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