Justiça nega soltura de detetive da Polícia Civíl preso por homicídios





TJ negou habeas corpus que colocaria o detetive Fabrício em liberdade
BELO HORIZONTE – O detetive Fabrício de Oliveira Quenupe, detido como suspeito de um duplo homicídio, continuará preso provisoriamente na Casa de Custódia do Policial Civil em Belo Horizonte. Isto porque o Tribunal de Justiça de Minas Gerais negou o habeas corpus em favor do policial durante a sessão de julgamentos da 6ª Câmara Criminal ocorrida na terça-feira (17).

O pedido de soltura de Quenupe foi impetrado pelos seus advogados de defesa para que ele responda ao processo em liberdade. No entanto, a turma julgadora, composta pelos desembargadores Rubens Gabriel Soares, Furtado de Mendonça e Jaubert Carneiro Jaques denegou a ordem após a sustentação oral feita pelo advogado Marcelo Leonardo. A decisão do TJ será publicada na próxima quarta-feira (25) e cabe recurso perante os tribunais superiores em Brasília.

Fabrício Quenupe está entre os três investigadores presos acusados de um duplo homicí
dio ocorrido na região de Ipabinha/Santana do Paraíso em junho de 2010. Ronaldo de Oliveira Andrade, 40 anos, e Elton Pereira Costa, 46 anos, também eleito vereador do PT em Paraíso, estão igualmente presos como suspeitos de participação nas mortes.

Os detetives foram denunciados pelo MP como os principais responsáveis pelos assassinatos do lavador de carros Marcos Vinícius Lopes de Oliveira, 18 anos, e Glauco Antônio Lourenço, de 22 anos. As vítimas foram executadas com dois tiros na cabeça e os corpos encontrados nus e em avançado estado de decomposição.

As investigações foram feitas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com agentes designados a Ipatinga após as mortes do jornalista Rodrigo Neto e do fotógrafo freelancer Walgney Carvalho. Na acusação feita pelo MP, a Promotoria de Justiça considerou que a liberdade dos denunciados é uma ameaça à ordem pública, e acredita que eles e outros policiais civis podem fazer parte de um “grupo de extermínio” no Vale do Aço.


Cena do duplo homicídio ocorrido em Ipabinha, em 2010: sessões de tortura antecederam o assassinato

ADIADO
Já o habeas corpus do Capitão da Polícia Militar Charles Clemencius Diniz Teixeira também colocado em mesa para julgamento na última terça, foi adiado a pedido da desembargadora Márcia Millanez. Os autos foram reincluídos na pauta do próximo julgamento, marcado para o dia 29 de setembro. A magistrada optou por adiar o pedido de soltura após a sustentação oral do advogado de defesa do policial. No mês passado, a mesma desembargadora já havia negado o pedido de antecipação de tutela. O Capitão está preso preventivamente desde o dia 19 de julho sob acusação de envolvimento em um homicídio ocorrido há seis anos. 

O militar e a namorada dele, C.R.F., 29 anos, foram denunciados pelo Ministério Público como supostos mandantes da morte do mecânico Diunismar Vital Ferreira, o “Juninho”, de 41 anos, na antiga Padaria Guerra, no bairro Veneza, em agosto de 2007. Os dois ainda irão responder pela morte do instalador de máquinas José Maria, 58 anos, que estava no estabelecimento comercial no dia do crime e acabou baleado e morto, apesar de não ter nada a ver com a confusão.
JVA