Cães da PM atacam idoso em Ipatinga

Fato ocorreu na manhã de quarta-feira, quando aposentado fazia caminhada pela pista da avenida Itália. Animais do canil militar eram submetidos a treinamento no local. 



INTERNADO NO Márcio Cunha, o aposentado tem marcas do ataque por todo o corpo
IPATINGA – A Polícia Militar omitiu da imprensa o fato, durante todo o dia em que ele ocorreu, mas nesta quinta-feira amigos, parentes e a própria vítima relataram como dois cães do canil da PM atacaram um idoso de 78 anos, na quarta-feira (02) pela manhã, no bairro Cariru, provocando muitos ferimentos e momentos de pavor. O aposentado Ângelo Valdeci Giubert caminhava tranquilamente pela av. Itália, tradicional espaço de prática de atividades físicas, quando foi surpreendido pelos cachorros da raça pastor alemão. 

Os cães estariam sendo treinados por três policiais militares, sendo um deles uma policial veterinária. Os animais fugiram do controle e atacaram o morador que passava pela rua. Um dos cachorros respondeu à ordem de comando de um PM e parou, mas o outro continuou o ataque. Ângelo teve ferimentos por todo o corpo.

No dia do acidente, a reportagem do Jornal VALE DO AÇO tentou obter junto ao Comandante do 14º Batalhão da PM, Edvânio Carneiro, o boletim em que o fato teria sido registrado. Mas até o fechamento da edição a redação não havia recebido nenhum documento ou qualquer retorno via telefone. A justificativa dada era que não havia expediente na parte da tarde e, por essa razão, o quartel estaria impedido de repassar as informações.

No portal da PM disponibilizado para a imprensa também não foi possível localizar o Boletim de Ocorrência. No relatório de ocorrências enviado pela assessoria de Comunicação da instituição nesta quinta-feira (3) também não constava o histórico do ataque dos animais. 

Reprodução G1 

O LOCAL onde os cães investiram furiosos contra o senhor de 78 anos
EFEITO RETARDADO
O ataque dos cães não foi noticiado em nenhum veículo de Comunicação até a manhã desta quinta-feira (03), quando então amigos da vítima ligaram para vários jornais, TVs e rádios questionando por que ninguém havia veiculado a notícia. Ao serem informados sobre a dificuldade em conseguir informação junto à PM, os familiares e amigos de Ângelo procuraram os meios de Comunicação para darem entrevista. As fotos foram cedidas pelos amigos do aposentado, que se encontra internado no Hospital Márcio Cunha, sem previsão de alta. 

A reportagem do Jornal VALE DO AÇO fez uma visita ao aposentado e pode constatar os graves ferimentos provocados pelos cães. Ângelo disse que após a caminhada rotineira pela manhã resolveu novamente dar uma volta, quando então, assustado, viu um dos cães indo na direção dele. “Eu ainda tentei brincar com o cachorro, mas ele partiu pra cima de mim, caí e logo veio o outro. Foi uma luta entre mim e os cães”, contou a vítima. 

O aposentado sofreu ferimentos na cabeça, tórax, abdômen e pernas. Numa das mordidas, como contou o aposentado, o cachorro chegou a arrancar pedaço. “Eu não tinha forças para mais nada e pensei que logo estaria morto”, relatou. 

A filha da vítima, Ângela Geralda Giubert, mora junto com o pai na rua Etiópia, e ao ouvir os gritos de socorro correu para ver o que havia acontecido. Ao chegar ao local, os cães já haviam sido dominados e ela ainda pode ver os policiais colocando o pai dentro da viatura que o transportou para o Hospital Márcio Cunha. “Disseram que colocaram uma cerca para fazer o treinamento com os cães, mas não vi. A gente sabe que foi realmente um acidente, mas é preciso tomar mais cuidado porque o local é frequentado por idosos, crianças, muitas pessoas que fazem caminhadas”, pondera a filha de Ângelo. 

CHATEADOS
O tenente-coronel Edvânio Carneiro lamentou o ocorrido e disse que está avaliando outro local para que seja feito treinamento externo com os cães. “Na hora do ocorrido, o treinamento estava sendo feito em uma área cercada, mas devido a um buraco em uma tela os animais saíram e atacaram o idoso. Até mesmo nossos policiais estão bastante chateados com isso, porque nunca havia ocorrido algo semelhante antes”, ressalta o comandante da Polícia Militar.

Ainda segundo o oficial, um inquérito militar foi instaurado para esclarecer o caso e se for constatada a culpa dos militares eles podem responder por lesão corporal na justiça militar. O comandante ainda lembrou que todo o apoio está sendo prestado à vítima. 
jva