Decisão de Anastasia confirma demissão de delegado acusado de matar namorada

O delegado Geraldo do Amaral Toledo, acusado de matar uma ex-namorada adolescente, foi demitido da Polícia Civil de Minas por irregularidades e fraudes enquanto era titular do Detran de Betim, na Grande BH.

A decisão tomada pelo governador Antonio Anastasia, após um pedido da Corregedoria, foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quarta-feira (16). De acordo com a assessoria do Governo de Minas, o pedido chegou ao gabinete do governador na segunda-feira (14) e foi analisado na terça (15).

O texto afirma que o governo "acolhe os fundamentos apresentados na Nota Jurídica nº 529 da Advocacia Geral do Estado/SECCRI e aplica a pena de demissão ao delegado do quadro de cargos
de provimento efetivo da Polícia Civil, em razão de infração às normas estatuídas nos artigos 143, 144 e 149 da Lei nº 5.406/1969, e pela prática das transgressões disciplinares previstas no artigo 150, incisos XXIII, XXV e XXX, c/c o artigo 152, §2º, incisos I, II, III e Iv, todos da mesma lei."

Segundo a PC, o processo contra o delegado surgiu a partir das irregularidades constatadas no período entre 2005 e 2007. Caso ele seja condenado por esses crimes, pode pegar até 13 anos de prisão.

O policial também é acusado de ter atirado na cabeça da ex-namorada, a adolescente Amanda Linhares, de 17 anos, que não resistiu aos ferimentos e morreu. Porém, apesar da repercussão desse caso, a recomendação da chefia da polícia era por "transgressão disciplinar de natureza grave".

Atualmente, Geraldo está preso na Casa de Custódia da Polícia Civil, que fica no bairro Horto, na região Leste de Belo Horizonte, pelo caso envolvendo a adolescente. Em nenhum momento, o delegado confessou o crime e ainda insiste na versão de que a namorada teria atirado contra a própria cabeça. Com a decisão do governo, ele deverá perder o benefício de ficar na Casa de Custódia.

Apuração*

As investigações da Polícia Civil revelaram que Geraldo Toledo teria cometido infrações para registrar e licenciar duas motocicletas com motores e chassis irregulares.

O processo para a demissão do delegado foi instaurado em 2011, após a conclusão de um inquérito que confirmava o envolvimento do policial com o caso. Na época, ele chegou a ser detido em São Joaquim de Bicas, na região Central de Minas, mas passou a responder aos crimes em liberdade.

Ainda segundo a corregedoria, Geraldo também responde no processo por Adulteração de Sinal Identificador de Veículo Automotor, Receptação e Formação de Quadrilha. (*Com Polícia Civil)

O crime
 
Amanda Linhares foi baleada na cabeça no dia 14 de abril de 2013, em Ouro Preto. Na data, testemunhas informaram que o delegado e a garota teriam discutido dentro do carro do Geraldo Toledo momentos antes de ela ser ferida.
 
Segundo a Polícia Civil, essa não foi a primeira vez que o delegado teria agredido a jovem. Conforme a assessoria de comunicação da corporação, em março deste ano, Geraldo Toledo chegou a ser indiciado pela Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente por agressão contra a jovem.
 
Amanda, de 17 anos, morreu na noite do dia 3 de junho, após ficar 51 dias internada no Hospital Pronto-Socorro João XXIII. A causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória. O corpo da adolescente foi velado e enterrado no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, em Conselheiro Lafaiete, na região Central de Minas.