Forte esquema de segurança é montado para audiência de quadrilha de caixa eletrônico

Além de Filipinho, sete pessoas que integravam quadrilha especializada em explosão a caixas eletrônicos prestaram depoimento 

Gizelle Ferreira 

Foram necessárias sete viaturas para transportar os oito presos

IPATINGA – Um forte esquema de segurança foi montado nesta quarta-feira (23) no Fórum de Ipatinga. Isto porque oito pessoas integrantes de uma quadrilha especializada em explosão a caixas eletrônicos participaram de uma audiência na 1ª Vara Criminal de Ipatinga. Ente os réus estava Fellipe Moreira Quirino, de 21 anos, o Filipinho, ou Filipim Branco, considerado o líder do bando.

Fellipe foi trazido da Penitenciária Nelson Hungria, de Contagem, escoltado por quatro viaturas, sendo duas do Comando de Operações Especiais (Cope), da Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS). Os outros acusados presos no Ceresp de Ipatinga foram escoltados pela Polícia Militar e pelo Grupo de Escolta Tática Prisional (Getap) e GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais). A segurança nas imediações do prédio do poder Judiciário também foi reforçada pela PM.
Arquivo JVA 

Cristiana Cândida, João Paulo, Junior Marinho, Luan Rodrigues, Nephitaly Bruno, Rafael Brandão e Tiago Rodrigues


Divulgação 

Filipinho protagonizou uma saga de fuga e esconde-esconde com a polícia
Fellipe e o restante do bando chegaram por volta de 13h no Fórum. Antes da audiência houve um acidente de percurso. O elevador do prédio estragou e Filipinho, juntamente com agentes que faziam escolta e um delegado de polícia ficaram presos por cerca de 15 minutos no compartimento até que o problema fosse resolvido.

O terceiro andar estava bastante movimentado com a transição e espera de testemunhas, sendo nove de acusação e 20 de defesa. O bando inteiro está sendo defendido por três advogados. A quadrilha é acusada de formação de quadrilha, receptação, tráfico de drogas, corrupção de menores, porte de arma e terrorismo. Devido ao alto número de réus e testemunhas a audiência será designada para outra data.
 
ESCONDE-ESCONDE
Filipinho e o restante da quadrilha são acusados de serem responsáveis por boa parte das explosões a caixas eletrônicos em Ipatinga e região. Pouco a pouco os integrantes do bando foram sendo presos pela polícia, inclusive a mulher de Filipinho, Cristiana Cândida Gomes. Porém, em todas as operações o “cabeça” da quadrilha conseguia se safar e provocava novas explosões. 

Um alvo difícil de ser alcançado, “Fillipim Branco” já foi preso várias vezes pela polícia. Uma delas foi em maio de 2012, em Caratinga, quando outras sete pessoas foram detidas acusadas de arrombamento a agências bancárias da região. Dias depois, “Fillipim” conseguiu sua soltura e até meados de maio deste ano – quando acabou preso – protagonizou um jogo de “esconde-esconde” com a polícia. Ninguém conseguia pegá-lo. Em fevereiro deste ano ele chegou a fugir de um cerco policial em Realeza (distrito de Manhuaçu), quando parte do bando dele foi presa.

PRISÃO 
A ‘casa’ caiu para o líder da quadrilha - um dos homens mais procurados por toda a polícia de Minas Gerais – quando ele acabou preso em maio deste ano em um cerco policial na cidade de Naque. Ele teria roubado um carro possante em Governador Valadares e acabou sendo perseguido por policiais federais. 

Durante a fuga houve troca de tiros e Filipinho foi alvejado por dois disparos, um de fuzil e outro de arma curta. Ainda assim, manteve a fuga a pé. O fugitivo ficou escondido em um paiol, nos fundos de uma casa, local onde então acabou preso e novamente sob um forte esquema de segurança ele foi escoltado a um hospital em Ipatinga e depois seguiu preso para a Penitenciária Nelson Hungria.  

Filipinho nasceu em Caratinga, e apesar da pouca idade, 21 anos, se especializou em criar um forte esquema de explosões a caixas eletrônicos nas cidades de Caratinga, Rio Casca, Manhuaçu e região do Vale do Aço. Após os roubos escapava em moto com o dinheiro e protagonizava fugas alucinantes, deixando o restante do bando pra trás.