Justiça de MG decreta prisão de policiais acusados de tortura e morte

Juiz afirmou: "policiais militares “usem da farda e de um armamento fornecido pelo Estado para agredir a sociedade que o sustenta”.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou nesta sexta-feira (25) que a 1ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Ribeirão das Neves, na Grande BH, decretou a prisão preventiva de dois policiais militares acusados de homicídio e outros seis acusados de tortura. São dois casos distintos, porém, ambos ocorreram na cidade da Região Metropolitana.
Segundo o TJMG, em relação ao homicídio, uma pessoa desarmada levou vários tiros, inclusive um na nuca. O crime, que não teve a data divulgada, aconteceu durante uma busca por drogas e a invasão de uma casa, conform
e o Tribunal. Os dois policiais foram pronunciados.
Já o caso de tortura, que envolveu seis militares, ocorreu no dia 19 de setembro deste ano, conforme o delegado Gustavo Garcia Assunção, responsável pelas investigações. Segundo o advogado Fábio Márcio Piló, o rapaz foi detido em um campo de futebol no início da manhã; policiais teriam encontrado droga no terreno e consideraram que a substância seria do homem. “Ele é trabalhador e estava indo buscar o FGTS em uma agência bancária”, disse.
Depois disso, ainda de acordo com Piló, os militares levaram o homem até a casa dele à procura de mais droga. No imóvel, o detido teria passado por uma seção de tortura, com agressões, e, inclusive, sendo sufocado em um saco, relatou o advogado. Uma quantidade de droga e munição foram apreendidas na residência. O defensor contou que o cliente passou oito horas sob o poder da PM até ser levado para delegacia.
Segundo Assunção, o suspeito estava com ferimentos pelo corpo. Primeiramente, diante dos militares, o jovem havia dito que os machucados teriam sido causados por um acidente. Após a chegada dos advogados, o suspeito afirmou que havia sido torturado pelos militares, conforme disse Assunção.
O delegado afirmou que o jovem chegou a ficar preso por alguns dias, mas que, depois, teve a liberdade concedida. Gustavo Garcia Assunção contou que, na próxima semana, novas diligências serão realizadas para apurar a responsabilidade de cada um dos militares.
Segundo o delegado, cinco militares foram detidos na quarta-feira (23) e um foi preso nesta quinta-feira (24). Assunção contou que os seis negam as acusações de tortura. De acordo com a Justiça, os militares já tiveram um pedido de habeas corpus negado.
O assessor de comunicação da PM, tenente-coronel Alberto Luiz, informou que os seis policiais estão presos em uma unidade da corporação. Alberto Luiz disse ainda que a corporação instaurou um inquérito para apurar a invasão do domicílio do suspeito de tráfico de drogas. Na Justiça, segundo Alberto Luiz, os militares vão responder pelos crimes de tortura e abuso de poder.
Sobre os acusados de homicídio, o tenente-coronel afirmou que a Corregedoria da Polícia Militar não vai passar detalhes sobre o caso.
De acordo com o TJMG, na decisão, o magistrado citou o caso do ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza, no Rio de Janeiro. Para ele, segundo a Justiça, não se pode admitir que policiais militares “usem da farda e de um armamento fornecido pelo Estado para agredir a sociedade que o sustenta”.
Os advogados dos militares não foram localizados pelo G1. Os processos correm em segredo de Justiça.